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Sábado, 11 Fev 2012 09:36

Arrigo Barnabé canta Lupicínio Rodrigues

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Arrigo Barnabé

Cantor fala sobre o show que faz apenas com canções de Lupicínio Rodrigues e de seus trabalhos no cinema.

 

Dificilmente havia alguém na década de 1950, no Brasil, que não soubesse cantar uma marchinha ou um samba-canção de autoria do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues. Mais de meio século depois, ele tem parte da obra interpretada pelo cantor e compositor paranaense Arrigo Barnabé. O espetáculo, realizado no pequeno palco da Casa de Francisca, em São Paulo, será exibido pelo Canal Brasil e lançado em DVD, com o título Caixa de ódio, nome de uma das canções de Lupicínio.
Extremamente produtivo, Arrigo Barnabé, natural de Londrina, também sempre foi muito ligado ao teatro e ao cinema. “No ano passado, me convidaram para fazer um curta-metragem em Goiânia como ator. Antes disso, a atriz e diretora Helena Ignez me chamou para fazer uma personagem em A revolta do Bandido da Luz Vermelha”, diz. “E, agora, o cineasta Maurice Capovilla está fazendo um filme cuja história mostra músicos que montam um espetáculo só com canções do Lupicínio.”

Com 60 anos, o compositor paranaense também se destacou com o trabalho em trilha sonora de filmes, tanto que, em 1983, foi premiado no Festival de Gramado com Janete. Segundo ele, o encantamento por esse tipo de projeto, que nunca abandonou, começou com Henry Mancini para A Pantera Cor-de-Rosa. “Recentemente, fiz Família vende tudo, do Alain Fresnot, que foi muito legal. Agora, estou trabalhando em um filme sobre a Anita Garibaldi, que foi gravado no sul”, conta o músico, que ficou conhecido mesmo pelo álbum Clara crocodilo (esgotado), lançado em 1980, o qual ainda é motivo de orgulho para ele.

Na Revista da Cultura de fevereiro Arrigo Barnabé dá dicas de DVDs com trilhas que admira. Seguem trechos:

Por que fazer um DVD com as músicas do Lupicínio Rodrigues?

Esse é um trabalho como intérprete, que eu nunca tinha feito. Eu era um compositor e também interpretava minhas coisas. Mas sempre gostei de atuar. O teatro sempre foi uma coisa importante na minha vida. Boa parte da minha música é movida a teatro. E desde 1994 fiquei mais voltado para a música erudita. A única coisa mais popular que fiz foi gravar Clara Crocodilo ao vivo e depois um disco que fiz com Paulo Braga, tocando piano, em Portugal. Nesse período, escrevi três óperas, duas missas, uma série de peças para piano, percussão, violino, violoncelo e clarinete. Tenho pensado em fazer o Lupicínio há muito tempo. Quando o Itamar (Assumpção) fez o disco do Ataulfo Alves, eu pensei que se fizesse a mesma coisa, faria Lupicínio.

E isso pela afinidade que você sente com as músicas do Lupicínio?

Eu me identifico demais com ele, que permite que você interprete suas músicas de tantas maneiras. Ela tem possibilidades de leituras tão amplas. É difícil você encontrar um compositor com uma obra assim. Vai desde o piegas até a coisa mais fria possível. Vai para todos os lugares. Foi, antes de tudo, um exercício de interpretação para mim. Então montei o show sem saber se funcionaria, porque nunca tinha feito isso com obra de outra pessoa. Quer dizer, é um negócio que só canto e não toco. Fiz uma coisa pequena, mas começou a dar muito certo e aí resolvemos gravar o DVD, porque o aspecto visual é tão importante quanto o musical. Se fosse fazer uma coisa só de áudio, montaria uma banda, com bateria, baixo e sopro. Como é um espetáculo tipo cabaré, estou muito próximo das pessoas.

Como você vê o Lupicínio dentro da linha evolutiva da música brasileira?

Essa foi uma teorização que foi feita por causa da Bossa Nova, que realmente parecia que estava acontecendo alguma coisa. Deu um salto ali. Quer dizer, o Tom Jobim. Lupicínio é um autor de canção. Um cara que trabalha com a comunicação direta e ele é observador da natureza humana, muito perspicaz e aguçado, de como o ser humano se comporta. Ele não está preocupado com moda, ou bom e mau gosto. É quase um cronista que possibilita que você veja as coisas como performance.

Além da sua carreira como cantor, você também compõe bastante para cinema, correto?

Recentemente, fiz Família vende tudo, do Alain Fresnot, que foi muito legal, e antes tinha feito uma trilha muito boa para Doutores da alegria (esgotado), de Mara Mourão. Agora, estou trabalhando em um filme sobre a Anita Garibaldi, que foi gravado no sul. É com Ana Paula Arósio e o diretor é italiano. Eu já escrevi algumas coisas e estou esperando a captação de dinheiro para finalizar.

De onde vem essa sua relação com o cinema?

Sempre curti trilhas de filme, desde criança. Lembro quando surgiu A Pantera Cor-de-Rosa. Que trilha maravilhosa! Aí aparece o Nino Rota e, no Brasil, o Sérgio Ricardo, que fez a trilha para Deus e o diabo na terra do sol. Tom Jobim fez trilha também para o (Paulo Sergio) Sarraceni, depois fez para Gabriela. É um monte de gente fazendo trilha. O jeito que o Glauber Rocha usava música nos filmes dele, ele tinha um lado meio Stanley Kubrick. Ele sabia colocar as músicas já prontas nos filmes. Então a gente achava o máximo fazer trilha de filme. Eu estava na ECA (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo) e namorava uma menina que fazia o curso de cinema, Cristina Santeiro. E ela foi fazer estágio com o Francisco Ramalho Junior, que me conheceu e me pediu para fazer a música de um episódio do filme que ele estava trabalhando. O Chico Botelho me chamou para fazer Janete, com o qual fui premiado em Gramado e, depois, fui chamado para fazer mais trilhas. Era um negócio muito precário, porque você ia na moviola e media o tempo de música. Hoje em dia, é mordomia com o filme no computador.

Mas você também atua...

Veja a coincidência, no ano passado me convidaram para fazer um curta-metragem em Goiânia como ator. Antes disso, a Helena Ignez me chamou para fazer um personagem em A revolta do bandido da Luz Vermelha. E agora o Maurice Capovilla está fazendo um filme cuja história é músicos que montam um espetáculo só com canções do Lupicínio. Então, as situações das letras do Lupicínio começam a acontecer durante os ensaios. Ficamos um mês filmando em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mario Quintana. É um longa que já está praticamente montado. Deve ser lançado em 2012 e no qual eu interpreto cinco ou seis personagens.

Como você avalia o fato de que Clara crocodilo o marcou muito junto ao público?

Puxa, é importante isso. Todo mundo fala no Arrigo, "Clara crocodilo". Se bem que tem Diversões eletrônicas, que é forte. Mas acho super legal. Itamar é o “Nego Dito”. Você sabe que é uma referência. Tem uma música que te indica.

A vanguarda paulista, da qual fizeram parte você, Itamar Assumpção, Rumo e Premeditando o Breque, realmente existiu?

Eu era bem amigo do Itamar. Nós moramos juntos e meu irmão, eu e ele trabalhamos muito. Ao mesmo tempo, eu estava na USP. Então tinha bastante contato com o pessoal do Premê. Com o pessoal do Rumo, eu tinha menos contato, mas convivia. A gente conversava. Agora não é que existia um movimento. Não existia mesmo. Calhou de ter o Festival da TV Cultura, eu participar e o Premê também, tirando o segundo lugar. E o pessoal do grupo sempre foi muito participativo e cooperativo. O Itamar apareceu e começou a abrir os meus shows. Aí começou a fazer “Nego Dito” e estourou. Mas a gente era diferente. Eu tentava muito fazer, mas era sozinho. O pessoal do Premê cooperava. O Itamar não estava nem aí. E o pessoal do Rumo também não estava interessado. Se a gente tivesse se unido de fato, teria muito mais força.

Como você compara aquela cena da música independente com esse rumo que a música tomou, dos downloads e da queda da indústria fonográfica?

Naquele momento, era muito difícil você mostrar o seu trabalho. Praticamente impossível. A sorte é que a gente teve o Festival da TV Cultura, que abriu muitas portas. Em seguida, veio o Festival da Tupi. Hoje em dia, não. Você grava em casa e é muito mais simples de as pessoas terem acesso. A própria profissão não tem mais aquele estigma que tinha na minha época. Para um pai, hoje em dia, ter um filho músico é o maior barato. No nosso tempo, ter um filho músico era um desespero. Quer dizer, tem uma mentalidade que mudou muito. Agora você pode colocar suas músicas na internet e fazer com que as pessoas achem. Eu sou super a favor de baixar música. Tem gente que faz música para ganhar dinheiro. Essas pessoas têm que se virar e encontrar um jeito de não deixarem piratear a música. Mas quem não faz música para ganhar dinheiro, fica contente, porque as pessoas estão ouvindo o que você fez.

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Fransergio

Fransergio Perini:
Como colocou Mário de Andrade "Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinquenta… Mas um dia, afinal, eu toparei comigo".
Sou Professor de Literatura, Redação, História, Instrutor de cursos profissionalizantes, Leitor, Cinéfilo, Apaixonado pela boa música e Apresentador do “Raízes da MPB” na Rádio Tom Social.
Conhecer  as diversas manifestações de cultura é fundamental para nosso crescimento e para compreendermos o mundo em que vivemos, por isso posso dizer que assim como Fernando Pessoa eu "Multipliquei-me para me sentir".

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