Carmen nasceu 09/02/1909 em Portugal, mas veio para o Brasil com apenas 18 meses de idade. Ela faleceu em Los Angeles (EUA) em 05/08/1955. Foi cantora, atriz e também dançarina.
Seu pai, José Maria Pinto da Cunha, que exercia a profissão de barbeiro, imigrou para o Brasil primeiro e logo depois veio sua mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, junto com a pequena Carmen e a outra filha mais velha, Olinda. Carmen ainda teve mais 4 irmãos nascidos no Brasil.
Vocês sabiam que Carmen Miranda morava com sua família quarto de aluguel no Rio de Janeiro? Bem, depois de um tempo eles transferiram-se para o famoso bairro da Lapa. Como os pais de Carmen queriam abrir uma pensão, eles se mudaram para a Praça XV. Naquela época, a mãe assumiu a direção da pensão que fornecia refeições a empregados do comércio local e também aceitava hóspedes.
Vejam que talvez por meio da sorte ou do destino, a pensão logo passou a ser freqüentada por músicos da época, entre eles Pixinguinha. Isso fez com que Carmen Miranda ficasse ainda mais encantada com o mundo artístico, pois como toda menina de sua época, ela queria ser artista, estrela de cinema.
É interessante que desde menina Carmen Miranda demonstrava inclinação para a música. Sabem o que ela fazia? Ela imitava as grandes cantoras da época ao ouvir os diversos programas nas rádios e com isso ela saia cantando para seus os amigos nas festas.
Como a vida não é feita apenas de sonhos, com 15 anos Carmen começou a trabalhar como balconista de lojas de roupas femininas, de chapéus e gravatas. Em uma dessas lojas ela aprendeu a decorar chapéus femininos. O que é interessante é que esse tipo de aprendizado iria ajudá-la na criação de suas famosas roupas extravagantes quando se tornou uma artista consagrada.
Em 1929, a sorte ou o destino colocaria novamente a música em seu caminho. Enquanto ela fazia chapéus sob encomenda, uma de suas clientes ouvindo-a cantar fez um convite para uma apresentação em uma festa no Instituto Nacional de Música. É nessa festa beneficente que ela atrai a atenção do professor, violonista e compositor baiano Josué de Barros. Foi ele que impulsionou a carreira de Carmen Miranda. Para vocês terem uma ideia, Josué de Barros é autor da marchinha de carnaval YáYá,YôYô, que fez um tremendo sucesso na voz de Carmen. Foi a partir daí que ela passa a cantar em rádios como a Rádio Educadora, Sociedade e Mayrink Veiga, além de gravar seus primeiros discos.
Para começar, seguem 3 canções inesquecíveis que você precisa conhecer de Carmen Miranda:
01- Burucuntum (Ano 1930) - Autor Sinhô (sob o pseudônimo de J.Curangi) - Intérprete: Carmen Miranda
02- Yáyá, Yôyô (Ano 1930) - Autor Josué de Barros - Intérprete: Carmen Miranda
03- Bamboleô (Ano 1931) - Autor André Filho - Intérprete: Carmen Miranda
Em 1930, Carmen Miranda Realiza diversas apresentações em festas e teatros. Em setembro desse mesmo ano ela canta na revista musical chamada “Vai Dar o que Falar”, no Teatro João Caetano. O que precisamos ressaltar é que no início da década de 30, moça que cantava em rádio não freqüentava a sociedade, pois o rádio era um mundo totalmente masculino. Como ela não se deixava influenciar, chegou a gravar mais de vinte canções, entre tangos, sambas, marchas e lundus de autores como Ary Barroso, Pixinguinha e Joubert de Carvalho.
Carmen estava ganhando tanto espaço no meio artístico que em 1931, ela se apresentou durante um mês com artistas como Francisco Alves e Mário Reis, no Cine Broadway, em Buenos Aires, na Argentina.
Com o decorrer do tempo o samba conquistava a preferência do público pelas ondas do rádio. No Brasil, o cinema sonoro passava a levar às telas os ritmos populares, o carnaval e os sucessos do rádio. Foi nesse contexto, que Carmen Miranda começa a gravar marchas e sambas de Francisco Alves, Noel Rosa, Ismael Silva, Assis Valente, Ary Barroso, Cartola, além de ser acompanhada em muitas ocasiões pelo conjunto Diabos do Céu, de Pixinguinha.
Para vocês terem uma ideia da fascinação que ela exercia “a pequena notável”, apelido que Carmen Miranda ganhou 1933, foi a primeira cantora a assinar contrato com uma rádio, ganhando dois contos de réis por mês. Uma boa quantia na época para uma mulher no rádio.
O cinema também seria um grande marco na carreira de Carmen Miranda. No ano de 1936, estréia o filme “Alô Alô Carnaval”, que narra a montagem de uma revista teatral intitulada “Banana da Terra”. O filme traz a famosa cena em que Carmen Miranda e Aurora Miranda cantam a canção “Cantoras do Rádio”, vestidas em fraques, cartolas e calças de tecido brilhantes criadas por Carmen.
Nesse mesmo ano, ela grava, entre outros sucessos, a marcha “Balancê” (João de Barro e Alberto Ribeiro) e o samba “No Taboleiro da Bahiana” (Ary Barroso). Além disso, ela e a irmã Aurora, integram o elenco do Cassino da Urca que era palco de atrações nacionais e internacionais no Rio de Janeiro. Carmen chegou a ganhar 30 contos de réis por mês no Cassino da Urca.
Já no ano de 1939, vale lembrar que estreava o filme “Banana da Terra” (direção de João de Barro, argumento de João de Barro e Mário Lago e produção de Wallace Downey). Nesse filme Carmen deveria cantar duas músicas de Ary Barroso: “Na Baixa do Sapateiro” e “Boneca de Piche”. Dizem que Ary Barroso estava cobrando muito pelas suas canções e por isso ele foi substituído de última hora por um baiano recém-chegado ao Rio. E vocês sabem de quem estou falando? Ele mesmo. Dorival Caymmi. Foi nesse filme que Carmen Miranda imortalizou a canção de Caymmi: “O que é que a Baiana Tem?”. Outro fato que contam também é que fora o próprio Caymmi que ensinou os gestos que Carmen Miranda deveria fazer com as mãos enquanto cantava sua canção durante a gravação da cena.
Seguem mais 3 indicações de ótimas canções de Carmen Miranda:
04- Good bye (Ano 1933) – Autor Assis Valente - Intérprete: Carmen Miranda
05- Inconstitucionalissimamente (Ano 1933) - Autor Hervê Cordovil – Intérprete: Carmen Miranda
06 - Alô, alô (Ano 1933) - Autor André Filho - Intérpretes: Carmen Miranda e Mário Reis
Para quem não sabe, Carmen Miranda chegou a ser uma estrela tão consagrada que suas apresentações chegaram a ser ovacionadas por 200 mil pessoas no concurso oficial de músicas carnavalescas. Também era uma artista aplaudida de pé nas rádios e nos teatros em que se apresentava.
Tamanho sucesso lhe rendaria frutos internacionais. No ano de 1939, enquanto estava no Cassino da Urca ela é vista por muitos estrangeiros. E foi justamente em um dos seus shows que o poderoso empresário da Broadway Lee Schubert se encantou com a magia de Carmen. Lee Schubert então ofereceu um contrato para Carmen Miranda onde ela seria sua como artista exclusiva na Broadway.
Logo após sua estréia Carmen Miranda escreveu para seu amigo Almirante (um pioneiro da música popular no Brasil) o seguinte: "Aqui vai uma cartinha contando-te que a tua amiga, segundo jornais, é a grande sensação da Broadway. A minha estréia foi algo indescritível. Eles não entendem patavinas do que eu canto, mas dizem que sou a artista estrangeira mais sensacional que até hoje apareceu aqui".
O sucesso internacional só fez aumentar o sucesso no Brasil. Em 1940, Carmen retornou ao Brasil em julho, com uma triunfal acolhida do povo no cais e nas ruas do Rio. Ela chegou até a desfilar em carro aberto pela Avenida Rio Branco. No entanto, muitos jornalistas, críticos e até membros da alta sociedade acabaram acusando Carmen Miranda de “estar americanizada”. Mesmo assim, o povo continuava aclamando-a nos palcos.
Sofrendo grande assédio americano, Carmen passa a ser presença constante nos programas de rádio e televisão e nos shows em cassinos, night-clubs e teatros americanos. Isso fez com que ela se afastasse dos palcos brasileiros, regressando ao Brasil somente em 3/12/1954, ou seja, foram praticamente 14 anos de ausência.
Carmen Miranda casou-se em 17/03/1947 com o norte-americano David Sebastian, segundo ela, o único homem que a pediu em casamento. Não tiveram filhos. Segundo alguns biógrafos, esse seria um casamento bem conturbado e até mesmo o desencadeador da depressão que futuramente atingiria Carmen Miranda.
Bem, indiferente de ter se americanizada ou não, temos que tirar o chapéu para Carmen Miranda, pois ela conquistou multidões de brasileiros e estrangeiro, sem falar que foi a rainha absoluta de Hollywood (entre 1941 e 1949) chegando a ser uma das estrelas mais bem pagas do mundo.
Na madrugada de 05/08/1955 de madrugada, ela morreu em Los Angeles (EUA), aos 46 anos, de enfarte. Sua família decidiu sepultá-la no Brasil. Seu corpo chegou ao Brasil, e foi acompanhado por uma multidão de fãs. Mais de 500 mil pessoas acompanharam o cortejo. Para mensurarmos a importância de Carmen Miranda na música popular brasileira, trouxe aqui para vocês as palavras ditas pelo grande Heitor Villa-Lobos no jornal “O Cruzeiro” em 1952:
"Nenhum brasileiro de bom senso pode ignorar o muito que Carmen Miranda fez pelo Brasil lá fora, transportando este país na sua bagagem, ensinando a povos, que jamais haviam tomado conhecimento de nossa existência, a cantar as nossas músicas e a adorar o nosso ritmo. Carmen Miranda será sempre uma dívida irresgatável." É por tudo isso que Carmen Miranda está imortalizada nas “Raízes da MPB”.
Para finalizar essa postagem, recomendo que você ouça mais essas canções de Carmen Miranda:
07- Minha terra tem palmeiras (Ano 1936) - Autor João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Carmen Miranda
08- No tabuleiro da baiana (Ano 1939) - Autor Dorival Caymmi - Intérprete: Carmen Miranda
09- O que é que a baiana tem (Ano 1939) – Autor Dorival Caymmi - Intérprete: Carmen Miranda
Bibliografia Consultada:
Dicionário Cravo Albin da MPB: www.dicionariompb.com.br
Site sobre Carmen Miranda: www.carmenmiranda.com.br
MELLO, Zuza Homem de. Enciclopédia da Música Brasileira. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 2000.
SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 1. São Paulo: Editora 34, 2006.
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